Terça-feira, Setembro 13, 2011
O que fazer quando, no meio de uma avenida movimentada, um senhor já de idade lhe segura oferecendo geleia de mocotó? Ausente de desconfiômetro, depois de minha recusa, ele solta: "Pode 'esprementar', jovem, que não paga!" -"Ah!, não é isso, é que eu não gosto de geleia de mocotó, senhor." –"Não tem 'pobrema', meu filho! Eu tenho aqui uns sonhos que são uma coisa de doido! Quer 'esprementar'?" Sorridente, destampou a caixa de isopor, arrancou de lá de dentro algo envolvido em plástico e ditou logo o preço. Flertando com a minha reação, perguntou-me à queima-roupa: "Quantos vai querer levar?". Comprei apenas um e fiquei com aquilo aquecendo a minha mão, enquanto eu andava, cortava vários quarteirões, até que passei por um animalzinho pequeno, sujo, com as mãozinhas erguidas - desses que habitam o centro de uma metrópole, já adestrados pela vida que têm. Pois acabei dando ao menino de rua, desprovido de perspectivas, um sonho.
