Dias atrás fui assistir um filme europeu no Belas Artes. O saguão do Belas tem lá o seu charme: uma simpática livraria na entrada e uma espécie de cafeteria – ou bonbonnière, sei lá. Mas as salas pequenas, com a qualidade da projeção em débito, poltronas achatadas e fixadas quase que no mesmo patamar - que por isso nos come parte da legenda, além de escutarmos comentários um tanto ácidos vindos da fileira de trás por conta de nosso pescoço espichado - quebram o encanto do lugar que até então era tido como um estabelecimento de projeções cinematográficas.
O que realmente me chamou a atenção no Belas foi o perfil de seus frequentadores. São todos iguais, como playmobils, e se identificam uns aos outros por conta dos óculos de aros grossos, cabelos desnivelados e All Stars coloridos nos pés. A tal tribo acredita piedosamente que não necessita pensar para ser intelectual - basta apenas assistir aos filmes alternativos, com atores desconhecidos, um enredo sem pé nem cabeça, dirigido por alguém que, cujo nome, nós, pobres mortais, não conseguimos pronunciar e pronto; é tiro-e-queda!
O problema maior, apesar de natural, é quando, depois de assistido ao filme, fica a decepção por parte daqueles que não fazem parte da tribo. É que ao sair da sala, os pobres mortais, pescando comentários elogiosos vindos da turminha, ficam com aquela sensação, mesmo que transitória, de que são idiotas, insensíveis e não entendem porra nenhuma de Sétima Arte. Mas, garanto, logo passa.

