Segunda-feira, Setembro 29, 2008

O piercing no umbigo representa toda a imbecilidade camuflada no silêncio; e quando não, impregnada nos gestos e falas previstos da mulher medíocre, da pobre de espírito.
Por que no umbigo?

Terça-feira, Julho 29, 2008

Terça-feira, Julho 22, 2008

Bem, não posso dizer que fui pego de surpresa. Primeiro porque a Ju, minha mulher, disse que escreveria sobre mim e não se importaria caso eu decidisse postar. E o fez sabendo que estava me envaidecendo, portanto não teria como escapar da exposição. Segundo, porque a Ju escreve bem e já era de esperar tamanha beleza em suas palavras leves e soltas. Ju, sempre coerente, mas um tanto apaixonada, se torna cega, se fazendo de persuadida ao me descrever no palco da vida. Mas, como diz o Lobato, o vento que apaga a vela é o mesmo que atiça o incêndio.
Ultimamente ando com preguiça de escrever. Isso, em momento algum, isenta o prazer que sinto lendo alguns blogs e derivados. Acompanho, sim, alguns escritores de meia-tigela por aí. Mas eu, bem, não tenho mais tanto saco para rabiscar parvoíces e ficar feito manequim de vitrine, observando ser observado. Prefiro, e tenho achado mais agradável, ficar somente na leitura. Pode ser que amanhã eu mude de idéia.
Por conta da preguiça em escrever, peguei, arquivado no Word, algo meu que estava escondido, tomando teia de aranha. Para atualizar - aprendi com a Deby (conhecida minha) - vale cuspir qualquer coisa na página amarelada.
Creio já ter escrito algo semelhante sobre mim, quando escrevi sobre o "Supermercado Leonardo" há um tempo atrás. Reformei o texto, dei uma colorida nele e, para atualizar, é claro!, postei-o.
Um comentário, correndo o risco de me desmentir (correria, de fato, este risco se a Ju não fosse maior do que eu e se a queda por romances em meu âmago não existisse), veio com tamanha autoridade que não deu p´ra recusá-lo - já que foi escrito na intenção de ser publicado -, como, cá entre nós, Ju, eu sabia, desde o início, que acabaria acontecendo pela sua grandeza e pelo meu embevecimento em me ter como, digamos, alguma referência boa.
Deixo aqui o comentário da Ju sobre o meu último texto, feito resenha boa de algo vulgar.
Eu, garanto, não sou o que o mundo vê, nem o que o próprio inventa. Eu sou feito de um pouquinho de você - de qualquer um -, que teima em observar si próprio em tantos Leonardos. Sou, nas palavras de Caetano, um homem comum, qualquer um...


Um bocado de Leo, pra Juju ver

Sério, irônico, gracioso. Possui um sorriso inigualável e brilhante. Quer ser excêntrico e, ao mesmo tempo, comum.
Não é tão adulto, como se diz; não gosta da solidão, é carinhoso e sensível aos olhos dos que são amados por ele (incluo-me nesta restrita lista). Brigadeiros são as menores partes que representam a infância que guarda consigo, a aparência ainda continua a mesma.
Seu esconderijo eu já conheço. Sei o que há fora e dentro dele.
Sempre gostei do seu jeito de escrever, escolhe as palavras bonitas e dificulta a leitura dos pobres leitores, que ficam curiosos para entender o que está sendo “dito”. Aqui, quem escreve é uma pessoa que não tem a mesma aptidão, portanto, não repare nesta escrita “amadora”.
Mas por que eu escrevo aqui? Bem, na verdade, é só para dizer que quem lê a descrição do Leonardo feita pelo próprio nunca saberá o que eu sei! Lê-lo assim, é tentar encaixá-lo em tudo o que representa na minha vida. É tentar enxergar todo o perfil do homem que fez em mim o amor brotar. Não, isso não é possível e não será.
Você, Leo, é amável, esforçado, honesto, lindo, amigo, amoroso e, pra mim, isso basta. Se todos tivessem o privilégio de saber que assim é, talvez não estivesse guardado o seu amor para mim, até o dia em que nos tornamos amantes. Portanto, mesmo que continue pintando aos outros a sua solidão, o seu feitio reservado, você sempre será o meu amor e que eu tenho a honra de saber quem, realmente, é.

Terça-feira, Julho 15, 2008

Um bocado de mim, p´ra inglês ver

Altivo, taciturno e autista no mesmo buraco. Sofro escassez de idéias rútilas e me faço neologista. Biltre e probo ao mesmo tempo e em todas as línguas, para todos os cegos, surdos e mudos. Pode incluir os defuntos cidadãos.
Vou comê-la, como se fosse hóstia, mulher. O gozo é a minha confissão, é a aparição de todos os meus pecados em vida. E não fique nua, olhando p´ra mim, como se eu fosse o espelho dessa vaidade. A nudez total me corrói, até chegar ao teu desprezo e na minha solidão.
Da opulência à miséria em apenas um piscar de olhos. Ostento o que ninguém vê, até que enxergue o avesso e diagnostique nitidez.
Lambo o guardanapo, maculado de brigadeiro, porque o paladar é a única coisa infantil que me resta fora do meu esconderijo. As lembranças... Sigo carregando um baú, pesado de passado, no futuro presente. Sigo cansado de amanhã, desses amanhãs que vão se acumulando no passado e de nada servem.
Dê-me um amplexo de carinho, p´ra eu deixar na tua carne uma cicatriz e depois, arrependido, lamber feito cão a sua alma ferida, sangrenta. A tua bonomia, confesso, me exacerba, mas o resto de mim, dessa solidão toda, dessa falta do que ser longe do mundo, me faz teu subalterno na mais pura consciência, dentro dessa loucura que é viver.

Sexta-feira, Maio 30, 2008

Depois de assistir Cazuza - o filme -, já atrasado, em casa, desliguei a televisão esmorecido, com preguiça de euforia.
Foi dali, eu sei, daquela alegria toda (dizem que era contagiante), daquela orgia, daquela mistura de cor e som, de sacanagem e amor, de Reagan e Gorbatchev, de Ocidente e Oriente que surgiu o fermento para a "'in'-cultura pop", que hoje engorda multidões.
Aquela década descartável, sem origem, onde a abnegação cultural estacionou, de certa forma me representava; deixando-me completamente nu diante dos antepassados, ao mesmo tempo em que me apresentava para essa atualidade, também órfã, como irmão.
O desinteresse cultural, creio eu, surgiu de uma avalanche de coisas repetidas. A criatividade cultural acabou. O mundo voltou a ser o que era, quando éramos o que Darwin acreditava. Os decepcionados podem culpar o fogo e a roda. A arte deixou de ser a tradutora da busca de um novo mundo. Há um cheiro de decepção, junto a risos inocentes, que vai desaparecendo no ar.
Herdamos da década de oitenta a falta de compromisso para com a arte. A arte se tornou reciclável, por isso a falta de compromisso em criar. Ninguém mais sobe no banquinho, estende a mão e tenta apertar o parafuso frouxo. É melhor deixar como está, pois a arte é auto-suficiente.
O Cazuza serviu fielmente às vontades dessa terra carnavalesca, desfilando, fantasiado de poeta, diante da mira de holofotes saudosistas, esfomeados, inebriados pela nostalgia de um passado já distante em ideais.
A geração da década de oitenta idolatrou o Cazuza por pura carência de algo menos real, mais infiel à época. A Sétima Arte estava exagerando demais e ficando impertinente. Cazuza foi o artista completo para a década que mantinha uma arte despedaçada.
Cazuza foi apenas um transgressor inconsciente. Ele nunca pensou ser paradigma de nada, acredito. Na cabeça do Cazuza, ele se evaporaria junto ao universo descartável dos anos oitenta e se tornaria obsoleto. Enganou-se. Hoje, mesmo morto, diante tanta pobreza cultural, o Cazuza tem um olho em terra de cego.
Nos dias de hoje, quem seria o nosso Cazuza? Quem será a referência cultural dessa nova geração? Qual foi o último grande movimento cultural que tivemos? Antes de tudo, o que se pode chamar de movimento cultural, hoje em dia?
Sei que em breve, muito em breve, a eructação recitará uma poesia nunca antes viva. Será o maior movimento cultural.
Hoje o meu Cazuza - o legítimo,ó! - toma banho de poeira, se perfumando de naftalina, enquanto MCs Créus e derivados nadam de braçada.
O sol é para todos, já a sombra...

Segunda-feira, Abril 28, 2008

O melhor dessa atualidade é o pouco de resto que há do passado. Não importa se armazenado em memória, livro ou até mesmo em chip.
O pior é que a carência de arte é ocultada pelo desinteresse cultural da massa. Ninguém se move.
Sobra para os resquícios de um passado, já distante, que salvam alguns presentes de uma hecatombe cultural.

Quarta-feira, Abril 09, 2008

Provo a minha aparição pública já, que é p´ra ninguém reclamar da minha reclusão social - ultimamente tenho freqüentado salas de cinema e mesas de sorveteria. Foi num show de música, p´ra não dizer de rock and roll, baby - pois esse linguajar, típico dos púberes, me causa certo desconforto, já que alcancei uma longa distância desse Deus embriagado que é a adolescência.
Fui ao lançamento do disco Estribo, do Cartoon - banda pela qual obtive certo apreço depois de muito ser carregado aos shows pela Juju.
Debaixo de muita chuva, mesclada de um frio vagabundo, em pleno domingo à noite, lá estava eu com a minha querida Juju (que não parava quieta por causa dos requebrados que as canções lhe provocavam - um parkinsonismo cartooniano).
Na foto, da esquerda para a direita, você verá Juliana (minha mulher), Paulinha (prima), eu (com o sorriso forçado de sempre), Ana (irmã) e Gabriel (primo querido e pederasta).
Foto tirada no dia seis de abril, de 2008, no Hard Rock Café.